domingo, maio 06, 2007

Relação entre Encarnados e Desencarnados - Mediunidade - Chakra Umeral e Incorporação

INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS EM NOSSOS PENSAMENTOS E ATOS

459.
Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

460.
De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?

“Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas idéias a se combaterem.”

461.
Como havemos de distinguir os pensamentos que nos são próprios dos que nos são sugeridos?

“Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será a sua responsabilidade.”

463.
Diz-se comumente ser sempre bom o primeiro impulso. É exato?

“Pode ser bom ou mau, conforme a natureza do Espírito encarnado. É sempre bom naquele que atende às boas inspirações.”

464.
Como distinguirmos se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?

“Estudai o caso. Os bons Espíritos só para o bem aconselham. Compete-vos discernir.”

465.
Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?

“Para que sofrais como eles sofrem.”

a) —
E isso lhes diminui os sofrimentos?

“Não; mas fazem-no por inveja, por não poderem suportar que haja seres felizes.”

466.
Por que permite Deus que Espíritos nos excitem ao mal?

“Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como Espírito que és, tens que progredir na ciência do infinito. Daí o passares pelas provas do mal, para chegares ao bem. A nossa missão consiste em te colocarmos no bom caminho. Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticá-lo. Só quando queiras o mal, podem eles ajudar-te para a prática do mal. Se fores propenso ao assassínio, terás em torno de ti uma nuvem de Espíritos a te alimentarem no íntimo esse pendor. Mas, outros também te cercarão, esforçando-se por te influenciarem para o bem, o que restabelece o equilíbrio da balança e te deixa senhor dos teus atos.”

É assim que Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.

467.
Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?

“Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.”

468.
Renunciam às suas tentativas os Espíritos cuja influência a vontade do homem repele?

“Que querias que fizessem? Quando nada conseguem, abandonam o campo. Entretanto, ficam à espreita de um momento propício, como o gato que tocaia o rato.”

469.
Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?

“Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: “Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.”

470.
Os Espíritos, que ao mal procuram induzir-nos e que põem assim em prova a nossa firmeza no bem, procedem desse modo cumprindo missão? E, se assim é, cabe-lhes alguma responsabilidade?

“A nenhum Espírito é dada a missão de praticar o mal. Aquele que o faz, fá-lo por conta própria, sujeitando-se, portanto, às conseqüências. Pode Deus permitir-lhe que assim proceda, para vos experimentar; nunca, porém, lhe determina tal procedimento. Compete-vos, pois, repeli-lo.”

472.
Os Espíritos que procuram atrair-nos para o mal se limitam a aproveitar as circunstâncias em que nos achamos, ou podem também criá-las?

“Aproveitam as circunstâncias ocorrentes, mas também costumam criá-las, impelindo-vos, mau grado vosso, para aquilo que cobiçais. Assim, por exemplo, encontra um homem, no seu caminho, certa quantia. Não penses tenham sido os Espíritos que a trouxeram para ali. Mas, eles podem inspirar ao homem a idéia de tomar aquela direção e sugerir-lhe depois a de se apoderar da importância achada, enquanto outros lhe sugerem a de restituir o dinheiro ao seu legítimo dono. O mesmo se dá com relação a todas as demais tentações.”

(FONTE: KARDEC, Allan – ‘O Livro dos Espíritos’ – Parte Segunda, Capítulo IX)

DO PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS

Como distinguir se o Espírito que responde é o do médium, ou outro?

“Pela natureza das comunicações”. (...)

O Espírito, que se comunica por um médium, transmite diretamente seu pensamento, ou este tem por intermediário o Espírito encarnado no médium?

“O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para comunicar à grande distância uma notícia e, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente, que a receba e transmita.”

O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir, provindas de outros Espíritos?

“Exerce, porquanto, se estes não lhe são simpáticos, pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e a seus pendores; não influencia, porém, os próprios Espíritos, autores das respostas; constitui-se apenas em mau intérprete.”

10ª
Dessas explicações resulta, ao que parece, que o Espírito do médium nunca é completamente passivo?

“É passivo, quando não mistura suas próprias idéias com as do Espírito que se comunica, mas nunca é inteiramente nulo. Seu concurso é sempre indispensável, como o de um intermediário”. (...)

(FONTE: KARDEC, Allan – ‘O Livro dos Médiuns’ – Parte Segunda, Capítulo XIX)

CHAKRA MEDIÚNICO - INCORPORAÇÃO

CHAKRA
palavra originária do sânscrito significa ‘roda ou disco’. Ficam na superfície do perispírito. São centros de energia fluídica, responsáveis pela irrigação de vitalidade, pois captam o Prana - o combustível essencial da vida. Por estarem localizados no Duplo Etéreo, não são visíveis aos olhos humanos. O Duplo Etéreo é composto de um fluído denso, um pouco mais sutil que a nossa matéria carnal, tem a mesma forma do corpo físico e ocupa um espaço de cerca de 1 a 2 cm sobre o corpo material.

Cada chakra tem um ou mais plexos responsáveis pela parte nervosa do corpo carnal que corresponde perfeitamente, na parte física do indivíduo, ao Centro de Força que está localizado no Perispírito ou Corpo Astral. Os chakras também atuam em várias áreas do corpo com a finalidade de dar manutenção necessária à máquina humana. Os chakras magnos são 7, porém vamos nos ater àquele que é fundamental no que concerne aos fenômenos mediúnicos.

CHAKRA UMERAL:
Fica nas costas, na altura da omoplata esquerda (entre e sobre o pulmão esquerdo. Indicado pela letra ‘D’ na figura acima). É o chakra espiritual, pois através dele que as energias se conectam. É o chakra mediúnico e de proteção, porque equilibra as energias positivas e negativas em excesso. É um gerenciador energético. É através dele que recebemos, em primeiro lugar, todos os contatos espirituais. É composto de 02 hélices ou pétalas que giram no sentido horário quando captam energias (incorporação) e no anti-horário quanto repelem energias (desincorporação). Tem coloração variável, mas o azul claro e o verde são predominantes. Oscila entre as outras matizes de acordo com a energia que está sendo captada.

(FONTE: trecho da apostila do curso no T.U.E. Caboclo Mata Virgem)

Assim explica-se o fato das entidades desenvolvedoras aplicarem passes nas costas dos iniciantes como forma de estimular o chakra umeral a receber e se acostumar às energias que são estranhas ao corpo espiritual do médium. Cabe ressaltar que o passe é a imposição das mãos à distância do corpo do receptor, sem toques, cutucadas, puxões, empurrões e outros tipos de abordagens inconvenientes que apenas causam desconforto e atrapalham a concentração.

As primeiras incorporações se dão de forma desequilibrada, com movimentos corporais bruscos e descontrolados, porque há um ‘choque’ entre a vibração da entidade e a do médium. O desenvolvimento tem o papel de burilar tais energias, a fim de que a sintonia entre o guia e o médium se estabeleça e com o aperfeiçoamento deste mecanismo, a incorporação se dê naturalmente. O medo, insegurança e questões de foro íntimo são fatores que dificultam o processo. Exercícios de auto-conhecimento, relaxamento e concentração, estudo, banhos ritualísticos, entre outros procedimentos, dão suporte necessário à transposição de tais barreiras.

Somos suscetíveis às influências espirituais de diversas ordens de acordo com nossas tendências. O desenvolvimento mediúnico nos torna aptos a distinguir os guias dos mistificadores, a reconhecer qual entidade nos auxilia a nível intuitivo etc. Faz-se mister a compreensão dos limites de cada um, pois a faculdade da incorporação não se dá por igual em todos os casos. Há os passistas, de descarrego, de consulta, desenvolvedores e os que alcançam a responsabilidade de dirigente espirituais.

Quando mediunizados, não nos ausentamos por completo da matéria; nossos laços fluídicos se afrouxam, mais em alguns que noutros, o que determina o nível da consciência mediúnica. O que não é captado pelos sentidos corporais é registrado pelo perispírito, ficando em nossa memória como lembranças vagas ou muito consistentes. No início é natural pairar dúvidas sobre estar ou não incorporado, mas com o tempo, a percepção mostrará que os ‘pensamentos e atitudes’ não são provenientes da nossa vontade. É no desenvolvimento, quando a personalidade do 'aparelho' prevalece mais que a atuação da entidade, o momento propício para a doutrinação, a fim de moldar o médium, suprimindo futuros vícios.

(FONTE: considerações da administração do blog)

segunda-feira, abril 30, 2007

'Obrigada, Vovô!'

Batem no portão fortemente, a samba (assistente espiritual) vai atender uma jovem mulher de aspecto triste e bastante desespero a pedir...

- Moça, por favor, eu preciso falar com o vovô João!

- Os números já acabaram, volte outro dia.

- Por favor, eu estou desesperada! Por favor...

Neste exato momento vovô João saiu do banco, foi a sua porta e disse à samba:

- Samba, deixa a moça entrar, ‘tô’ mandando!

A jovem foi atendida e contou seu drama. Vovô olhou com pena e respondeu:

- ‘Fia’ não faça isso, deixa essa criança vir ao mundo, enfrenta tudo, mas deixa ela vir, por que vovô não mata, vovô gosta da vida.

Vovô conversou muito tempo com a jovem mulher, que mais calma se despediu e partiu.

Passaram 20 anos, a mãe de santo cavalo do vovô João tinha decidido: Ia fechar o terreiro, tudo era coisa do diabo, estava entrando para igreja, ia fechar aquela casa de tantos anos de pura caridade, meio triste, mas decidida, quando entrou uma linda moça, muita bem vestida e disse...

- Bom dia, eu queria falar com o vovô João!

- Vovô... Essa vida eu já deixei minha filha, agora encontrei Jesus, estou entrando para igreja, servi muito tempo ao diabo, agora chega!

- Ah... Então desculpe, eu vou embora!

A moça meio decepcionada baixou a cabeça e agradeceu e quando ia se retirar, a mãe de santo não sabe como, sentiu uma força e disse:

- Minha filha, saia da macumba, saia dessa vida, você é uma moça tão bonita, tão jovem, vá para igreja!

A jovem respondeu:

- Minha senhora, eu não sou da macumba. Eu só vim aqui agradecer a esse preto-velho, o Pai João, que hoje a senhora chama de diabo, mas se hoje estou viva, feliz, sou uma mulher casada, tenho um lar, dois belos filhos, foi graças ao pai João, que há 20 anos atrás, não deixou minha mãe abortar. Eu na verdade só vim aqui agradecer o pai João, dizer a ele: Obrigada, vovô!

A mãe de santo paralisada ficou calada, chorou, pediu perdão e decidiu não sair da Umbanda nunca mais, descobriu a tempo, que Deus é um só em qualquer lugar.

(FONTE: Colaboração do CCT Marcos José do Terreiro Espírita Pai Antônio José de Benguela, em Brás de Pina)

sábado, abril 28, 2007

As Profissões De Minha Mãe

Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.

Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.

Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.

Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco. Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.

Descobri que minha mãe era uma diplomata formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu. Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.

Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom quando eu precisava colocar no papel as idéias desencontradas de minha cabecinha infantil. Ela me fazia dizer em voz alta as minhas idéias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.

Descobri que minha mãe era enfermeira com menção honrosa toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos. Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto. Depois passava o produto anti-séptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.

Descobri que minha mãe cursara a mais famosa faculdade de psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado. E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.

Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.

Era também pós-graduada em teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo dos alguns livros existentes no mundo. O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro a presença de Deus. Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: “Deus vela. Não se preocupem”. Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.

Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: “não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário”. Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los. Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos seus cuidados: alimentando as suas criaturinhas.

Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular, não se cansava de ir e vir várias vezes de casa para escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.

Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.

Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de Anjo Guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.

(FONTE: Equipe de Redação do Momento Espírita)

terça-feira, abril 24, 2007

Aniversários e Datas Comemorativas - Maio

03 – Aniversário do M.C.A Rodrigo

09 –
Aniversário da Adriana e da tia Verinha

12 –
Aniversário do Pereira

13 – 119º Aniversário de promulgação da Lei Áurea, que extingüiu a escravidão no Brasil. Dia dos Pretos Velhos. Dia das Mães

15 –
Aniversário da Márcia e do Antônio

18 –
Aniversário do Edílson

21 –
Início do ciclo zodiacal de Gêmeos

24 –
Dia de Santa Sara, Rainha e Padroeira dos Ciganos

30 –
Aniversário do Carlos

(Ilustração: 'Palmatória' - Debret)

Calendário do Mês de Maio/2007

4as feiras às 19:30

02, 09, 16, 23 e 30
– Irradiação / Passe / Corrente

Sábados às 15h

05
– Gira Mensal

12 – Homenagem aos Pretos Velhos - GUFEC

19 – Homenagem aos Pretos Velhos – Inhoaíba

26 – Consultas com sr Zé Pilintra, Exus e Pombogiras

(Ilustração: ‘Engenho’ – Debret)

domingo, abril 22, 2007

União Da Alma E Do Corpo

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

345. É definitiva a união do Espírito com o corpo desde o momento da concepção? Durante esta primeira fase, poderia o Espírito renunciar a habitar o corpo que lhe está destinado?

“É definitiva a união, no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que está designado para aquele corpo. Mas, como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.”

346. Que faz o Espírito, se o corpo que ele escolheu morre antes de se verificar o nascimento?

“Escolhe outro.”

a) — Qual a utilidade dessas mortes prematuras?

“Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria.”

347. Que utilidade encontrará um Espírito na sua encarnação em um corpo que morre poucos dias depois de nascido?

“O ser não tem então consciência plena da sua existência. Assim, a importância da morte é quase nenhuma. Conforme já dissemos, o que há nesses casos de morte prematura é uma prova para os pais.”

348. Sabe o Espírito, previamente, que o corpo de sua escolha não tem probabilidade de viver?

“Sabe-o algumas vezes; mas, se nessa circunstância reside o motivo da escolha, isso significa que está fugindo à prova.”

351. No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o Espírito de todas as suas faculdades?

“Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento. Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.”

353. Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?

“O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Achasse, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.”

355. Há, de fato, como o indica a Ciência, crianças que já no seio materno não são vitais? Com que fim ocorre isso?

“Freqüentemente isso se dá e Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.”

356. Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?

“Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.”

a) — Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?

“Algumas vezes; mas não vive.”

b) — Segue-se daí que toda criança que vive após o nascimento tem forçosamente encarnado em si um Espírito?

“Que seria ela, sé assim não acontecesse? Não seria um ser humano.”

357. Que conseqüências tem para o Espírito o aborto?

“É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.”

358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

(FONTE: KARDEC, Allan – ‘O Livro dos Espíritos’ – Parte 2ª – Capítulo VII / Leitura complementar indicada: XAVIER, Francisco Cândido - 'O Nosso Lar' - Capítulo 31)

quarta-feira, abril 18, 2007

Autoridade X Responsabilidade

Quanto pesa a responsabilidade de um cargo?

Observa-se que muitos perseguem nomeações para cargos e disputam, com ardor, lugares que lhes conferirão autoridade sobre outros.

Contudo, quando assumem postos de comando se esquecem dos objetivos reais para os quais foram ali colocados, passando a agir em seu próprio favor.

Tal posição nos recorda a história de um homem que foi nomeado mandarim, uma espécie de conselheiro na China.

Envaidecido com a nova posição, pensou em mandar confeccionar roupas novas. Seria um grande homem, agora. Importante.

Um amigo lhe recomendou que buscasse um velho sábio, um alfaiate especial que sabia dar a cada cliente o corte perfeito.

Depois de cuidadosamente anotar todas as medidas do novo mandarim, o alfaiate lhe perguntou há quanto tempo ele era mandarim. A informação era importante para que ele pudesse dar o talhe perfeito à roupa.

Ora, perguntou o cliente: "O que isso tem a ver com a medida do meu manto?" Paciente, o alfaiate explicou:

A informação é preciosa. É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que anda com o nariz erguido, a cabeça levantada. Nesse caso, preciso fazer a parte da frente maior que a de trás.”

“Depois de alguns anos, está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos de sua experiência. Torna-se sensato e olha para diante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito em seguida. Para esse costuro um manto de modo que fiquem igualadas as partes da frente e a de trás.”

“Mais tarde, sob o peso dos anos, o corpo está curvado pela idade e pelos trabalhos exaustivos, sem se falar na humildade que adquiriu pela vida de esforços. É o momento de eu fazer o manto com a parte de trás mais longa. Portanto, preciso saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente perfeitamente.”

O homem saiu da loja pensando muito mais nos motivos que levaram seu amigo a lhe indicar aquele sábio alfaiate, e menos no manto que viera encomendar.

***

Cargos e funções são sempre responsabilidades que nos são oferecidas pela divindade para nosso progresso. Não há motivo para vaidade, acreditando-se superior ou melhor que os outros.

Quando Pilatos assegurou a Jesus que tinha o poder de vida e morte, e que em suas mãos estava o destino de suas horas seguintes, o Mestre alertou-o dizendo: "Procurador, a autoridade de que desfrutas não é tua; foi-te concedida e poderá ser-te retirada."

De fato isso veio a acontecer. Apenas poucos anos após a morte de Jesus, o poder de Roma retirou do procurador da Judéia, Pôncio Pilatos, toda a autoridade. Ele perdeu o cargo, o prestígio, e tudo que acreditava fosse eterno em suas mãos.

***

Toda autoridade deve se centralizar no amor e na vida exemplar, a fim de se fazer real.

A autoridade de que nos vejamos investidos deve ser exercida sem jamais ferir a justiça.

No desempenho dos nossos deveres, recordemos que só uma autoridade é soberana: aquela que procede de Deus, por ser a única legítima.

(FONTE: Momento Espírita)

segunda-feira, abril 16, 2007

Humildade X Orgulho

Você já deve ter ouvido muitas vezes a palavra humildade, não é mesmo?

Essa palavra é muito usada, mas nem todas as pessoas conseguem entender o seu verdadeiro significado.

O termo humildade vem de húmus, palavra de origem latina que quer dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparada para receber a semente.

Assim, uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender e deixar brotar no solo fértil da sua alma, a boa semente.

A verdadeira humildade é firme, segura, sóbria, e jamais compartilha com a hipocrisia ou com a pieguice.

A humildade é a mais nobre de todas as virtudes, pois somente ela predispõe o seu portador, à sabedoria real.

O contrário de humildade é orgulho, porque o orgulhoso nega tudo o que a humildade defende.

O orgulhoso é soberbo, julga-se superior e esconde-se por trás da falsa humildade ou da tola vaidade.

Alguns exemplos talvez tornem mais claras as nossas reflexões.

Quando, por exemplo, uma pessoa humilde comete um erro, diz: "eu me equivoquei", pois sua intenção é de aprender, de crescer. Mas quando uma pessoa orgulhosa comete um erro, diz: "não foi minha culpa", porque se acha acima de qualquer suspeita.

A pessoa humilde trabalha mais que a orgulhosa e por essa razão tem mais tempo. Uma pessoa orgulhosa está sempre "muito ocupada" para fazer o que é necessário. A pessoa humilde enfrenta qualquer dificuldade e sempre vence os problemas.

A pessoa orgulhosa dá desculpas, mas não dá conta das suas obrigações e pendências. Uma pessoa humilde se compromete e realiza.

Uma pessoa orgulhosa se acha perfeita. A pessoa humilde diz: "eu sou bom, porém não tão bom como eu gostaria de ser".

A pessoa humilde respeita aqueles que lhe são superiores e trata de aprender algo com todos. A orgulhosa resiste àqueles que lhe são superiores e trata de pôr-lhes defeitos.

O humilde sempre faz algo mais, além da sua obrigação. O orgulhoso não colabora, e sempre diz: "eu faço o meu trabalho".

Uma pessoa humilde diz: "deve haver uma maneira melhor para fazer isto, e eu vou descobrir". A pessoa orgulhosa afirma: "sempre fiz assim e não vou mudar meu estilo".

A pessoa humilde compartilha suas experiências com colegas e amigos, o orgulhoso as guarda para si mesmo, porque teme a concorrência.

A pessoa orgulhosa não aceita críticas, a humilde está sempre disposta a ouvir todas as opiniões e a reter as melhores.

Quem é humilde cresce sempre, quem é orgulhoso fica estagnado, iludido na falsa posição de superioridade.

O orgulhoso se diz céptico, por achar que não pode haver nada no universo que ele desconheça, o humilde reverencia ao criador, todos os dias, porque sabe que há muitas verdades que ainda desconhece.

Uma pessoa humilde defende as idéias que julga nobres, sem se importar de quem elas venham. A pessoa orgulhosa defende sempre suas idéias, não porque acredite nelas, mas porque são suas.

Enfim, como se pode perceber, o orgulho é grilhão que impede a evolução das criaturas, a humildade é chave que abre as portas da perfeição.

PENSE NISSO!

Você sabe por que o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso?

É porque foi humilde o bastante para colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios.

Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha. E certamente estaria isolado.

PENSE NISSO!

(FONTE: Equipe de Redação do Momento Espírita)

Prece a Ogum

Pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, em forma de prece e que sejam ouvidas. Que esta prece corra mundos e universo, e chegue até os necessitados em forma de conforto para suas dores, que corra os quatro cantos da terra e chegue aos ouvidos dos meus inimigos em forma de brado e advertência de um filho de OGUM que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino.

OGUM, padroeiro dos agricultores e lavradores, faça com que as minhas ações sejam sempre férteis como o trigo que cresce e alimenta a humanidade nas suas ceias espirituais, para que todos saibam que sou teu filho.

OGUM, senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, e que eu seja sempre um fiel caminheiro e seguidor dos teus exércitos, e que nas minhas caminhadas só haja vitórias. E mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja um vitorioso, pois nós os vossos filhos não conhecemos derrotas, porque sendo o senhor o deus da guerra, nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora, embora sabendo que é só o começo. Mas tendo o senhor como meu pai, minha vitória será certa.

OGUM, meu grande pai e protetor, faça com que o meu dia de amanhã seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas, que no meu jardim só haja flores, que meus pensamentos sejam sempre bons e que aqueles que me procuram consigam sempre remédio para seus males.

OGUM, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada, que cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a ordem dos cavaleiros de OGUM. Pai, dá luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem é porque vivem nas trevas e, na realidade, só perseguem a luz que vós me destes.

Senhor, me livre das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos grandes, da inveja, das mentiras e da vaidade que só me leva à destruição.

E que todos aqueles que ouvirem esta prece e também aqueles que a tiverem em seu poder, estejam livres das maldades do mundo.

OGUM, que eu possa dizer para aqueles que me pedem a bênção: meu pai OGUM te abençoe!

segunda-feira, abril 09, 2007

Eu Pedi a Ogum

Eu pedi a Ogum, para retirar os meus vícios.
Ogum disse: Não, eles não são para eu tirar, mas para você desistir deles.

Eu pedi a Ogum, para fazer meu filho aleijado se tornar completo.
Ogum disse: Não, seu espírito é completo, seu corpo é apenas temporário.

Eu pedi a Ogum para me dar paciência.
Ogum disse: Não, paciência é um subproduto das tribulações; ela não é dada, é aprendida.

Eu pedi a Ogum para me dar felicidade.
Ogum disse: Não, eu dou bênçãos; felicidade depende de você.

Eu pedi a Ogum para me livrar da dor.
Ogum disse: Não, sofrer te leva para longe do mundo e te traz para perto de mim.

Eu pedi a Ogum para fazer meu espírito crescer.
Ogum disse: Não, você deve crescer em si próprio! Mas eu te podarei para que dê frutos.

Eu pedi a Ogum todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Ogum disse: Não, eu te darei a vida, para que você aprecie todas as coisas.

Eu pedi a Ogum para me ajudar a AMAR os outros, como Ele me ama.
Ogum disse: Finalmente você entendeu a idéia!

sexta-feira, abril 06, 2007

Feliz Páscoa

Que seu Domingo seja muito bom!

E se possível, ao lado das pessoas que você quer bem.

A Páscoa é a ressurreição de Cristo, é o seu renascimento.

Por isso nada melhor do que aproveitar este domingo para refletir.

Fazer o levantamento da vida para saber se é necessário recomeçar,

porque Páscoa é isso, é o momento de renascer.

Seja para o novo modo de vida, para novo amor,

para novas amizades, para novos projetos,

mudar tudo que está ruim de lugar e jogar fora da sua vida.

Enfim, se na sua vida existe algo que não está bom,

porque não parar, recomeçar e renascer para a felicidade!

"Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (Mateus 11, 28-29)

Aniversários e Datas Comemorativas/Abril

01 – Domingo de Ramos

06 –
6ª Feira da Paixão / Homenagem a OXALÁ

07 –
Sábado de Aleluia / Aniversário da Cristina

08 –
Domingo de Páscoa / Aniversário da Ana Cristina e da Ana Paula

14 –
1º aniversário do blog do GUFEC

15 –
Aniversário do Hermeson

16 –
Aniversário da Regina

18 –
Aniversário da Sueli

19 –
Dia de Santo Expedito. Aniversário do CCT Ailton

21 –
Início do ciclo zodiacal de Touro

23 –
Dia de São Jorge (Ogum)

24 –
Aniversário da Zuleika

26 –
Aniversário do Luis Gustavo

30 –
Aniversário da Karen

(ILUSTRAÇÃO: ‘Via Crúcis’ de El Greco)

Calendário do Mês de Abril/2007

4as feiras às 19:30

04, 11, 18 e 25 -
Irradiação/Passe/Corrente

5a feiras às 19h

05, 12, 19 e 26 -
Reposição Energética

Sábados às 15h

07 –
Gira Mensal

14 –
Consultas com os Pretos Velhos

21 –
Gira em louvor ao Orixá OGUM em Inhoaíba

28 –
Consultas com o Sr Zé Pilintra, Exus e Pombogiras

Domingo às 20h

22 –
Ronda e Vigília em homenagem a Ogum

2a feira dia 23

5h –
Alvorada

15h –
Gira festiva em homenagem ao Orixá OGUM

terça-feira, abril 03, 2007

Você Está No Leme

Quando vemos, em alto mar, uma embarcação navegando ao sabor do vento, o que nos vem à mente?

Por suposição, diremos que é um barco à deriva, sem mãos fortes para conduzir o leme.

Todavia, quando o timoneiro assume o seu posto a embarcação segue o rumo que ele definir.

Assim também acontece com a barca das nossas existências.

Se deixamos que os ventos e tempestades definam os rumos que deveremos seguir, fatalmente teremos surpresas desagradáveis pela frente.

Se, ao contrário, seguramos o leme e conduzimos a barca guiando-nos pela bússola da razão e dos sentimentos nobres, certamente chegaremos a um porto seguro.

Há pessoas que navegam os mares da existência sem se preocuparem com a direção que tomam. São facilmente empurrados pelos ventos da cobiça, da ambição desmedida, dos prazeres enganadores, da vaidade sem limites.

E, quando sentem que perderam o rumo, se desesperam e se revoltam contra Deus e contra todos, tentando justificar a falta de cuidados e de previdência.

Há os que se dizem fracos para conduzir o leme e deixam que o barco adentre a neblina escura da depressão, da melancolia, do desespero e, por fim, mergulham nos abismos do suicídio.

Esses terão que emergir, mais cedo ou mais tarde, suportando as dores dos ferimentos graves provocados pela queda infeliz e inconseqüente.

Há, ainda, aqueles que querem chegar ao destino em primeiro lugar. Atropelam os demais navegadores, destroem sua barcas e não se importam com o que venha a acontecer com os demais.

Queimam o combustível da saúde, usam de má fé para conseguir a melhor posição, penhoram a dignidade por um lugar de destaque. Esses não vão muito longe sem graves prejuízos.

Mas, nesse grande mar da vida, há navegantes previdentes e sábios que seguem com cuidado e perseverança. O barco das suas existências jamais fica à deriva.

Resistem com bravura às tempestades mais ameaçadoras e não se deixam levar pelos ventos fortes do desespero.

Sabem que cada um deve conduzir sua embarcação e ao mesmo tempo ajudar aos demais navegantes para que todos cheguem bem ao destino.

PENSE NISSO!

Você está no leme.

Você, e somente você, conduz a sua embarcação.

Seus atos lhe pertencem, seus vícios, suas virtudes...

O barco da sua vida seguirá pela rota que você traçar.

E jamais se esqueça de que a sua felicidade espera por você, em algum porto de luz que lhe foi destinado pelo grande timoneiro de todas as almas, que é o Criador do Universo.

(FONTE: Momento Espírita)

segunda-feira, março 26, 2007

O Tesouro no Céu

19 Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;

20 Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

21 Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

(Mateus VI, 19-21)

terça-feira, março 20, 2007

A Lição da Natureza

Toda vez que nossos olhos contemplam o espetáculo do nascer e do pôr-do-sol, não podemos deixar de reconhecer a grandiosidade do Criador.

Cada vez que mergulhamos a mente no estudo da biologia, descobrindo a perfeição da maquinaria humana, seu intrincado de artérias, veias, vasos, neurônios, tudo tão harmonicamente a trabalhar, rendemo-nos ao extraordinário ser que se esmerou na sua elaboração.

Sempre que ouvimos a balada dos ventos nas tardes frias, o ulular cantante na pradaria, o farfalhar das folhas de outono, recordamo-nos que o grande idealizador se chama Deus.

E quando as águas descem dos morros cantando segredos que recolhem por onde passam e se arrojam das alturas ao solo, alimentando lagos, engrossando rios, formando cascatas, lembramo-nos de que o maestro excelso paira acima dos homens.

Quando a tempestade ruge, a tormenta grita, e a natureza parece enlouquecida, pensamos que Deus está um pouco desatento, em leve cochilo.

Deus não se repete, não se cansa de criar, e a cada momento que o homem aprofunda suas lentes para o interior da terra, o seio dos mares, vai se dando conta de que o pai desceu a detalhes muito pequenos para que nós, seus filhos, nos sentíssemos felizes neste planeta.

Mas como todo pai, ele também providenciou para que aprendêssemos uns com os outros, a fim de crescer com maior rapidez.

E a natureza é uma mestra exemplar. Sua lição de serviço desinteressado, paciência, perseverança, se faz presente todos os dias.

As flores oferecem perfume e colorido, as árvores ofertam sombra, calor e vida. Serviço desinteressado.

A semente adormece no seio da terra e ao se espreguiçar, na época devida, estende brotos, que se tornarão alimento. Paciência e perseverança.

Para quem tem olhos de ver, até os pássaros ensinam. Conta John Leax que nos dias de inverno ele colocava no comedouro, em seu jardim, sementes, no intuito de que os pássaros ali se alimentassem.

Um dia, ele observou que um cardeal de penas desbotadas pelo gelo e pelo frio, pousou e se curvou sobre o comedouro. Mas não bicou nenhuma semente.

Através de seu binóculo, John pode observar que o pássaro tinha seu bico machucado, quebrado bem na raiz.

Logo mais, dois outros cardeais pousaram ao seu lado. Um de cor viva e outro cinza.

Sem pressa alguma, como se possuíssem a paciência infindável de Deus, eles trituraram sementes de girassol e, encostando bico no bico, alimentaram a ave faminta.

Nos dias seguintes, e durante o inverno inteiro, todas as manhãs e todas as tardes, o trio chegou ao comedouro, repetindo o processo.

Era como um encontro marcado e um compromisso assumido. Uma lição de disciplina e de desprendimento.

Exercita-te no amor à natureza, que esplende em sol, ar, água, árvore, frutos, animais e homens.

Deixa-te enternecer pelos convites silenciosos que o pai Criador te faz e dulcifica-te interiormente.

O amor dilui a sombra dos sentimentos negativos, imprimindo o selo da mansidão em todos os atos.

Ama, portanto, tudo e todos. Aprende com a natureza.

(FONTE: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo ‘O comedouro’, de John Leax, do livro ‘Histórias para o coração 2’, de Alice Gray, ed. United Press (somente a história dos cardeais) e cap. 181 do livro ‘Vida feliz’, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal (somente os pensamentos).

sexta-feira, março 16, 2007

Benefícios Pagos Com a Ingratidão

19. Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em pagamento de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?

R.: "Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo. Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem. E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem. Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele." – Guia protetor. (Sens, 1862.)

(FONTE: KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XIII : "Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita")

sábado, março 10, 2007

A Esperança

Há dias que temos a impressão de que chegamos ao fim do caminho!

Olhamos para frente e não vislumbramos mais a saída, não há uma luz no fim do túnel, e não há também nenhuma possibilidade de volta. Parece que todos os nossos projetos, nossos objetivos, foram levados para bem distante e estamos sem possibilidade de alcançá-los.

Parece mesmo que o outono da existência fez com que secassem as nossas esperanças e o vento forte do inverno varresse das nossas mãos, todos os sonhos acalentados. A morte vem e arrebata os afetos da nossa alma, deixando-nos o coração dilacerado. Sentimo-nos perdidos, não sabemos que rumo tomar, ficamos atônitos, sentimo-nos como uma árvore ressecada sem folhas, sem brilho, sem motivo para viver, é a desesperança.

De repente, como acontece com a natureza, a primavera muda toda sua paisagem, as árvores secas enchem-se de brotos verdes e logo estão cobertas de folhas e flores. O tom acinzentado sede lugar a cores verdes de tonalidades mil, é a esperança.

Os entes caros, que nos antecederam na viagem de retorno à Pátria Espiritual, um dia estarão novamente junto aos nossos corações saudosos num abraço de carinho e afeição. Tudo na natureza volta a sorrir, a relva verde fica bordada de flores de variados matizes, as borboletas bailam no ar, os pássaros brindam-nos com suas sinfonias harmoniosas, tudo é vida...

Assim, quando a chama da esperança reascende em nosso intimo, nossos sonhos desfeitos são substituídos por outros anseios, nossos objetivos se modificam, e o entusiasmo nos invade a alma.

Jesus, o sublime Galileu, falou-nos da esperança no Sermão da Montanha, com o suave canto das bem-aventuranças, exemplificou-a nos seus ditos e feitos.

Enfim, toda a Sua mensagem é de esperança. Se formos visitados por qualquer dissabor e o desespero nos tomar de assalto, busquemos o nosso Amigo maior... Jesus, através da oração. Predispondo-nos pela prece, a ajuda chegara certamente como suave bálsamo a penetrar nas fibras mais intimas do nosso ser, dando-nos alento e tranqüilidade.

Se a desesperança acercar-se de nós, lembremos o Amigo celeste a nos dizer:

Meu fardo é leve, meu jugo é suave.

Se seu jugo é suave, porque não o aceitamos?

Se seu fardo é leve, porque não o conduzimos?

Consideremos que o rigor do inverno, pode ser o resultado da nossa falta de cuidado, submetendo-nos ao jugo da mentira, da ambição desmentida, do pessimismo, das queixas sem fim. Ou talvez, a desesperança resulte da nossa própria insensatez, carregando pesado fardo dos prazeres inferiores, do orgulho, do egoísmo, da ganância, dos vícios de toda ordem e de outros tantos fardos inúteis que nos sobrecarregam os ombros, destroçando-nos as forças.

Dessa forma, em qualquer circunstância, deixemos que a esperança nos invada a alma, confiemos em Deus, que sempre nos da oportunidade novas para refazermos caminhos, buscando a nossa redenção.

A esperança deve ser uma constante em nossas vidas...

Esperança de melhores dias...

...esperança de realizações superiores...

...esperança de paz...

(FONTE: MOMENTO ESPÍRITA)

sexta-feira, março 02, 2007

Sobre o CCT do GUFEC...

O GRUPO UMBANDISTA FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE, fundado aos 15 dias de novembro de 1996 pelo CCT LUIZ PAULO SOBRAL NEVES, sob a inspiração de suas entidades CABOCLO MATA VIRGEM e PAI FRANCISCO DO CONGO e com as bênçãos de seus orixás regentes OXÓSSI e OXUM, têm seus fundamentos baseados numa longa e iluminada trajetória espiritual nas seguintes casas:

1º GRUPO ESPÍRITA FILHOS DE IANSÃ, na Rua Paraná nº 13, dirigido por dona Dejanira (in memorian), onde praticamente nasceu e passou seus primeiros anos de vida, acompanhando o trabalho mediúnico da família. Trabalhava-se na mesa, e no terreiro com passes, correntes, desenvolvimento.

2º TEMPLO UMBANDISTA A CAMINHO DA LUZ, presidido pelo Babalorixá Paulo Newton (Umbanda Esotérica e Ecológica, absorção das energias/orixás através dos centros de forças da Natureza) aonde desenvolveu-se mediunicamente, sendo iniciado e coroado como sacerdote de Umbanda.

Com a necessidade da busca de conhecimentos atinentes à Umbanda, freqüentou palestras e cursos noutros tendas, a saber:

I TENDA ESPIRÍTA MIRIM, onde também freqüentou a assistência na Matriz desde a tenra idade, por conta de ser próxima à sua residência.

II CENTRO ESPÍRITA CAMINHEIROS DA VERDADE: Fonte de Siloé / Ordem Espiritualista da Estrela.

III CENTRO ESPÍRITA TUPYARA

IV CABANA PAI MIGUEL DAS ALMAS

V PRIMADO DE UMBANDA: Umbanda Iniciática / Umbanda – Escola da Vida (fundada pelo Tuxaua Benjamim Gonçalves Figueiredo do Caboclo Mirim e Pai Roberto), na qual recebeu consagração a 7º grau - Comandante Chefe de Terreiro (CCT) – cabeça de Morubixaba.

Foi Oxalá quem te deu coroa!
Coroa Babá, coroa!
Coroa Babá!
Coroa Babá!
Coroa quem te deu foi Oxalá!

Obs.: a cor violeta do texto é uma referência ao espectro do 'Sahasrara' (nome sânscrito do chakra coronário / corona = coroa), o qual ilustra o post.

domingo, fevereiro 25, 2007

CABOCLO MIRIM - UM LUGAR DIGNO NA HISTÓRIA

Na formação da identidade de um povo, era precioso o conhecimento oral, passado dos mais velhos aos mais jovens, como forma de não se perder o contato com suas origens e manter os antepassados vivos na memória. Dizem ainda que a História da Humanidade sempre foi escrita pelos conquistadores, pelos vitoriosos. Uma regra que não se aplica em tempos de paz, nem pode ser regra para a formação cultural de todos nós, filhos de Fé da nossa querida Umbanda.

Sou apenas um humilde estudioso da religião, mas já aprendi que Umbanda é vida e movimento, é crescimento e evolução, sem dúvida alguma! E na atual fase da nossa religião, é bonito de se ver uma nova geração de filhos trabalhando para elevar a nossa mãe Umbanda a um patamar que sempre mereceu estar. Filhos que olham para frente sem esquecer o passado, lembrando de tudo aquilo que hoje são memórias em nossos corações, mas que continuam mensagens atuais e eternas nas palavras de nossos queridos Guias e Protetores, verdadeiros dirigentes do Movimento Umbandista!

Em 1982 ingressei na Tenda Mirim no Rio de Janeiro, dirigida por aquele senhor de fisionomia austera, mas de um carinho enorme pelos seus filhos de Fé. “Seu” Benjamim Figueiredo já era um senhor idoso, mas quanta energia, quanto domínio tinha aquele Caboclo incorporado em um corpo tão frágil! Caboclo Mirim ainda conduzia com vigor todos os trabalhos, nas Giras e nas sessões de caridade! Claro que aos 15, 16 anos de idade, ainda não podia compreender toda a grandeza do trabalho e da obra daquele ser de Luz, que veio plantar tão linda Escola nestas terras de Santa Cruz. Após o desencarne do Sr. Benjamim, comecei a procurar entender o legado de Mestre Mirim, comparando tudo aquilo que sentia em meu coração, com o que meus guias me traziam e com a narrativa daqueles que ao seu lado estiveram. E muito além de paredes de um templo, pude constatar: Que grande obra deixou o Caboclo Mirim!

Este manifesto não visa defender que a Escola de Mirim seja melhor do que qualquer outra. Acredito que é na diversidade que reside a riqueza da nossa religião, como as mais variadas flores que compõe um só belo jardim!

Sei que em algum momento, na juventude da nossa religião, os ânimos dos dirigentes estiveram exaltados na defesa de suas posições e de seus pontos-de-vista. No passado ainda se imaginava uma Umbanda unificada, centralizada tal qual a Federação Espírita Brasileira no Kardecismo. E sei que grandes abismos foram criados dentre os diversos grupos atuantes na nossa religião. Aliás, pouca coisa mudou nesse sentido...

Mas mesmo assim, os verdadeiros dirigentes da nossa Umbanda, nossos queridos Caboclos e Pretos-Velhos, foram conseguindo trazer sua mensagem, levantando pouco a pouco o véu da ignorância dos Homens, principalmente para todos aqueles de boa-vontade!

Quando se apresentou ao meio umbandista em 1924, é possível que a escola de Caboclo Mirim tenha chocado muita gente. Caboclo Mirim devia mesmo estar muito a frente de seus tempo, já que naqueles dias ainda imperavam rituais muito rústicos tais como matanças de animais, raspagens de cabeça e babalorixás ainda muito afeitos ao Candomblé, e pouco afinados com a verdadeira Umbanda.

Mestre Mirim pôs em prática um ritual mais “limpo”, onde não havia o sincretismo com as imagens católicas, seus médiuns se vestiam de forma sóbria, de uniforme branco e sem aquelas centenas de guias ao pescoço. A hierarquia no terreiro foi dividida em sete graus de iniciação, onde o médium ia ascendendo ao ritmo de seu próprio desenvolvimento espiritual: sem camarinha, “obrigações” ou “recolhimentos”.

Suas Sessões de Caridade sempre foram muito produtivas, pois todos davam sua contribuição para alcançar o bem-estar e a cura de seu semelhante: do encarnado ao desencarnado, do Caboclo ao Exu, todos participavam simultaneamente do atendimento ao público, com discrição e perfeita harmonia. Os atabaques só soavam nas grandiosas Giras mensais, onde dezenas, talvez centenas de médiuns confraternizavam com a espiritualidade, recebendo as bênçãos de seus Guias, na vibração das Sete Linhas da Umbanda!

Penso inclusive que Mestre Mirim preparou o terreno para a corrente espiritual que viria a ser conhecida como “Umbanda Esotérica”. É fato que, já em 1941, no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, surgiu pela primeira vez a expressão AUM-BANDHÃ, da língua sânscrita, como sendo a origem do vocábulo UMBANDA. Tal tese foi apresentada pelo Primado de Umbanda, fundado pelo Caboclo Mirim, e é até hoje aceita por diversas correntes umbandistas.

Por todo o exposto, pergunto aos meus irmãos umbandistas:

Como é possível esquecer uma Escola tão profícua, tão bela em seus mistérios e na sua simplicidade, como a Escola de Mestre Mirim?

Como uma semente que germinou por toda a nossa nação, que foi, e é a raiz que originou dezenas de grupamentos umbandistas pode ser negada?

Como um líder, que desde de 1924 dirigiu centenas de irmãos de Fé nas dezenas de casas afiliadas e co-irmãs, em torno de Congressos e Organizações, do porte do Primado de Umbanda, pode ser apagado da História da nossa religião?

Não há resposta. Não é possível. Mas está acontecendo, lentamente...

Em tempos de globalização e da democratização da informação, não encontro uma só referência ao trabalho realizado por Benjamim Gonçalves Figueiredo e pelo Caboclo Mirim, nos difíceis anos de consolidação e divulgação da Umbanda. Eu desafio: podem procurar nos relatos da História da Umbanda, em livros dos principais autores umbandistas, nas matérias das revistas ou nos sites das diversas organizações de nossa religião.

Hoje temos Internet, rádio, revistas e livros que levam às novas gerações o que é e o que esperamos da nossa religião. Na História da Umbanda, todos citam, merecidamente, o respeitado Sr. Zélio Fernandino de Moraes e o grande Caboclo das Sete Encruzilhadas, um dos pilares de nossa fé. Mas como num lapso de tempo, há um salto até meados de 1950, com a divulgação da obra do nobre W.W. da Matta e Silva, como se nada houvesse ocorrido em 50 anos de Umbanda!

Seria por que, a exemplo do Sr. Zélio, o Sr. Benjamim não foi um grande autor literário? Mas a obra dos Caboclos das Sete Encruzilhadas e Mirim fala por si!

Será que não tem valor aqueles obreiros que não tiveram sucessores à altura, ou um bem elaborado trabalho de divulgação na mídia?

Meu objetivo não é competição, nem julgamento do mérito da obra de todos os incansáveis guerreiros da nossa religião. Só peço o digno e merecido espaço a um dos mais importantes baluartes da Umbanda: nosso querido Caboclo Mirim. Será sempre com a lembrança de tão preciosos valores, e com o aprofundamento em nossas raízes que construiremos uma religião livre de aventureiros e aproveitadores.

Clamo a todos, que sentiram em suas vidas a luz de Mestre Mirim, que façam valer suas vozes. Sei que muitas Casas tem em suas origens a influência benéfica desse espírito missionário, que ainda hoje auxilia e coordena os rumos da Umbanda.

É mister que os formadores de opinião do meio umbandista se aprofundem mais nas pesquisas. Os fatos acima narrados são História, estão aí. Sejamos honestos e acima de tudo, justos. Vamos levar aos mais jovens a verdade, estimulando os livres-pensadores e a fé racional, com isenção e humildade.

Como já disse, sou apenas um pequeno aprendiz e pouco posso fazer para levar à publico essa questão, mas espero que tenha podido dar minha pequena contribuição à memória de nossa Umbanda!

Saravá Umbanda!!
Saravá Caboclo Mirim!!
Saravá todos meus irmãos de fé!!

AUTORIA: Sergio Navarro Teixeira - Presidente da Fraternidade Umbandista Luz de Aruanda / Barra Mansa – RJ

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Aniversários e Datas Comemorativas - Março


01 – 442º aniversário de fundação da cidade do Rio de Janeiro por Estácio de Sá

02 – Aniversário da CCT Hercília

11 – Aniversário da Fátima

12 – 87º ANIVERSÁRIO DA PRIMEIRA INCORPORAÇÃO DO CABOCLO MIRIM NO MÉDIUM BENJAMIM GONÇALVES FIGUEIREDO. Aniversário da Vanessa.

19 – Dia de São José. Aniversário da Vaine.

20 - Início do ciclo zodiacal de Áries. Equinócio de Outono no Hemisfério Sul.

Calendário do Mês de Março/2007


4as feiras às 19:30h

07, 14, 21 e 28
- Irradiação/Passe/Corrente

5as feiras às 19h

08, 15, 22 e 29
- Reposição Energética

Sábados às 15h

03
– Gira Mensal

10 – Consultas com os Pretos Velhos

17 – Gira Mensal em Inhoaíba

24 – Gira Mensal de abertura do ano litúrgico do Primado de Umbanda - PRESENÇA OBRIGATÓRIA DO CORPO MEDIÚNICO.

31 – Gira do sr. Zé Pilintra, Exus e Pombogiras

sábado, fevereiro 17, 2007

Festejos Judaico-Cristãos e Umbanda

CINZAS – dia que sucede os festejos pagãos do Carnaval, no qual os católicos cristãos são marcados na testa com cinzas, simbolizando a conversão para a vida em Cristo, a reflexão sobre a mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte. O fogo, símbolo do Espírito Santo, também expurga os resquícios pecaminosos da ‘festa da carne’.

QUARESMA – esta tradição advém do Judaísmo. No Livro do Êxodo (terceiro do Antigo Testamento, que forma com a Genesis, Deutoronômio, Levítico e Números o PENTATEUCO ou Torá, a pedra fundamental do Judaísmo), há o relato da odisséia do povo de Israel, fugindo do jugo do faraó rumo à Terra Prometida, guiados por Moisés. Esta passagem, cheia de incertezas, durou 40 anos. Foi relembrada por Jesus quando este retirou-se para o deserto, ficando lá por 40 dias. Um ato de abnegação que tinha objetivo de provar aos israelitas que ele fazia parte daquele povo, sofria com ele e era o Messias que estes aguardavam, para cumprir as leis e apresentar-lhes o Deus de Amor e Misericórdia no lugar da figura punitiva e implacável. O jejum e outras penitências remetiam às dificuldades da viagem de seus ancestrais. Este preceito, inspirado no ato de Jesus, foi imposto pela Igreja Católica e tem várias restrições, dentre as quais a proibição de se comer carne vermelha, em respeito ao corpo do Cristo. Neste período, os santos nas igrejas ficavam cobertos com panos roxos, em sinal de respeito à dor de Maria por seu filho.

RAMOS – chegada de Jesus à Jerusalém para comemorar a Páscoa Judaica. O povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava “Rei dos Judeus”, “Hosana ao Filho de Davi”, “Salve o Messias”. E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém, despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte.

SANTA CEIA – confraternização entre Jesus e seus apóstolos, exortando-os a continuarem propagando sua obra. É de onde surgiu o sacramento da Eucaristia praticado pela Igreja Católica Apostólica Romana. "E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado em favor de vós." (Lucas 22:19-20)

6ª FEIRA DA PAIXÃO – ‘De novo bradou Jesus com grande voz, e entregou o espírito. E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos. Ora, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus.’ – (Mateus 27, 50-54)

ALELUIA – dia de Nossa Senhora das Dores, em sofrimento pela paixão do Cristo. Os populares ‘malham’ o Judas.

PÁSCOA – A Páscoa Judaica, ou Pessach, celebra a chegada à Canaã, a Terra Prometida. É o início de uma nova vida, em liberdade. A Páscoa Cristã também é um recomeço, quando Jesus ‘ressuscita’, em toda a sua glória, para a vida plena, liberta dos grilhões do invólucro terreno.

UMBANDA - Em muitos terreiros de Umbanda, as casas param suas atividades ou restringem os trabalhos apenas aos pretos velhos e exus, considerando que Orixás se recolhem na Aruanda e caboclos no Juremá para velarem por nós, num período considerado ‘conturbado e tomado de energias negativas’. Tudo isso por conta da autoridade dogmática da Igreja Católica que atravessa os séculos e que ainda prevalece nos dias atuais dentro da Umbanda por equívoco ou desconhecimento dos pais e mães de santo.

A 6ª feira da Paixão é vista por muitos como um ‘dia de queimação’ por conta da crença de que as trevas sobrepujam a luz (de acordo com a passagem Evangelho de Mateus supracitada), tornando-nos vulneráveis. Mais uma vez o sincretismo influencia negativamente, porque os médiuns tendem a cultuar sentimentos pesarosos, tal como os católicos, baixando assim seu campo vibratório e tornando-se suscetíveis. Nas tendas de Umbanda, os médiuns ficam recolhidos em vigília, passam pelo ritual do amaci e cruzamento com pemba (ou cura) para o fortalecimento do ori e fechamento do corpo, respectivamente. Faz-se também uma mesa branca para Oxalá com canjica, acaçá etc. Distribui-se pão e vinho (e as respectivas matérias-primas, a uva e o trigo, símbolos de fartura, abundância e riqueza desde a Antiguidade) em memória da Última Ceia. O sincretismo reforçou o dia de culto a Oxalá na 6ª feira. Há tendas onde no sábado de Aleluia festeja-se ‘a volta dos caboclos e dos Orixás’. Nas casas mais ‘africanizadas’, utilizam-se a partir da 4ª feira de Cinzas as amarras anti-egum (ou contra-egum), trançados de palha da costa atados aos braços, tornozelos e cintura (umbigueiras) com a função de afastar os espíritos baixos.

CONCLUSÃO: A origem de tais celebrações provém da tradição judaico-cristã. Mesmo que a Umbanda acomode conceitos de várias religiões, não há porque permanecer cultuando estas datas forçando-lhes conotações dolorosas. É nosso dever propagar a mensagem de amor, fé, caridade trazida pelo Cristo e não nos martirizar pela suposta responsabilidade do sofrimento que lhe imputamos. Nossos hábitos, atitudes e pensamentos formam uma egrégora que vibra de acordo com nossas tendências - positivas ou negativas. As entidades de luz não se afastam de nós a seu bel-prazer, nós é que não fazemos bom uso do livre arbítrio e agimos à margem das boas orientações. Os guias são a nossa consciência. Quando ignoramos seus alertas, ficamos a cargo das conseqüências de nossos atos estúpidos. Ao rogarmos por ajuda, lá estão eles com a mão estendida a nos oferecer apoio e consolo. Deixemos os terreiros abertos para receber os necessitados de um passe, uma orientação - aqueles que estão doentes da alma.

Autora: MÁRCIA MONTENEGRO

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

AVISO IMPORTANTE - 16.02.2007

O GRUPO UMBANDISTA FÉ ESPERANÇA E CARIDADE POSSUI UM COMPROMISSO COM A VERDADE! Em nossos trabalhos espirituais, realizados todas às quartas-feiras, sempre com início às 19:30h e término previsto até às 22:00h; todas às quintas-feiras, sempre com início as 19:30 e término às 22:00h; e aos sábados, sempre com início às 15:00 e término previsto até às 21:00h - divulgamos a doutrina umbandista através da evangelização, desenvolvimento mediúnico, desobsessões, passes, curas através de tratamentos espirituais e por intermédio de campanhas de caridade. Nossas entidades espirituais trabalham sempre na prática do bem, nunca desviando do compromisso verdadeiro praticado por nossa Casa.

Desaconselhamos àqueles que pensam em procurar nossa Casa para desejar mal ao seu semelhante, visto que possuímos princípios verdadeiros da espiritualidade superior, orientados pelas entidades maiores que são nossos Caboclos e Pretos Velhos. Se o assistido vier em busca de paz espiritual, nossas entidades trabalharam para que, de acordo com o seu merecimento, o mesmo alcance a tão desejada paz. Temos também o compromisso com a nossa consciência, pois sabemos que tudo o que fazemos e plantamos neste planeta, amanhã retornará até nós, pois iremos colher os frutos deste plantio.

As quartas e quintas-feiras, trabalham as entidades Caboclos e Pretos Velhos, sendo estes trabalhos direcionados às correntes de irradiação à distância, visitas espirituais, desobsessões, passes e curas espirituais, todos os trabalhos sendo supervisionados pelas entidades dirigentes do GUFEC, Caboclo Mata Virgem e Pai Francisco. No último sábado de cada mês, somente trabalham as entidades Exus e Pombogiras – nossos Guardiões –, sendo estes trabalhos direcionados para assuntos mais voltados ao plano material (descarrego, emprego, parte financeira, etc). Tudo que fazemos em nossos trabalhos é realizado na frente dos assistidos.

As entidades espirituais do Grupo Umbandista Fé, Esperança e Caridade, não pedem nada em troca do bem realizado, muito menos dão obrigações aos freqüentadores. Tudo é às claras! Não fazemos trabalhos particulares, muito menos atendemos fora do horário de trabalho. Esta é uma casa espiritual séria, limpa e organizada.

LUIZ PAULO SOBRAL NEVES – COMANDANTE CHEFE DE TERREIRO DO GRUPO UMBANDISTA FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Mitologia Greco-Romana e Carnaval

O Carnaval que conhecemos é uma festa bem brasileira, embalada por ritmos africanos. Mas o reinado de Momo foi implantado no Brasil pelos portugueses. E as origens do carnaval europeu estão ligadas às festas populares em honra de dois importantes deuses pagãos: Dioniso ou Baco e Cronos ou Saturno.

Segundo a mitologia, Dioniso era filho de Zeus, o Deus Supremo do panteão grefo, com a mortal Sêmele, princesa de Tebas seduzida por ele. Hera, a esposa de Zeus, enciumada, disfarçou-se em ama da princesa e convenceu-a a implorar que Zeus aparecesse para ela em todo o seu esplendor. Como Zeus tinha prometido satisfazer os desejos de Sêmele, mesmo advertindo sua amante dos perigos que poderiam acontecer, apresentou-se na sua forma divina: raios e trovões. O palácio da princesa incendiou-se, e Sêmele consumiu-se em chamas. Zeus, percebendo que ela estava grávida, transferiu o pequeno feto para a sua própria coxa para completar a gestação. Quando ele nasceu, batizou-o Dioniso: aquele que nasce duas vezes.

Para protegê-lo da raiva de sua esposa Hera, Zeus mandou-o ao Oriente para ser criado pelas ninfas e os sátiros. Lá, vivendo em uma gruta, Dioniso passou uma infância e adolescência felizes. Num belo dia, espremendo algumas uvas, Dioniso inventou o vinho, precioso néctar que passou a repartir com sua côrte. A bebida trazia euforia, provocando um frenesi que fazia que todos dançassem ao som de flautas e címbalos. O delírio era uma conseqüência natural.

De volta ao continente europeu, Dioniso levou a cultura do vinho, mas tornou-se um Deus temperamental e muito exigente. Em troca do vinho pedia rituais dramáticos de bodes e muita festa com dança e música. O jovem Deus era extremamente feminino, possuindo longos cabelos e grande poder de sedução. Quando chegava às cidades, enlouquecia as mulheres através do vinho. Os maridos dessas senhoras, é claro, entravam em desespero. Não é difícil de entender porque suas festas fizeram surgir tanto a Tragédia quanto a Comédia.

Tragédia deriva de tragos, que é o nome dado ao bode no idioma grego. Durante as festas anuais do vinho novo, nas cidades da Grécia antiga, alguns participantes se disfarçavam de sátiros, ou seja, metade homem, metade bode. Por isso tragédia significa ‘canto ao bode’. O bode é reconhecido como símbolo de coisas diabólicas e, num certo sentido, o carnaval de hoje é a própria festa do bode. Pois nesses três dias as pessoas usam e abusam dos prazeres carnais.

Homenageando ao deus Dioniso todos cantavam, dançavam e bebiam até cair. Segundo o filósofo Aristóteles, os elementos do ritual dionisíaco eram capazes de levar uma pessoa ao mais extremo entusiasmo. A ponto dela deixar de ser ela mesma e, numa espécie de transe, acreditar que havia se transformado no próprio Dioniso. Depois de ultrapassar esse limite entre o humano e o divino, de acordo com a moral grega, a pessoa precisaria expiar a grave falta cometida. E é por essa razão que os heróis trágicos são duramente punidos ao final de sua trajetória.

A Comédia, por sua vez, do termo grego kosmos, que entre muitos significados quer dizer: canto de um grupo, cordão ou bloco de foliões. O sábio Aristóteles observou em sua Poética, que a comédia nascera da improvisação ‘por parte daqueles que entoavam os cantos fálicos’. Esses cantos acompanhavam as Falafórias, procissões em que o povo carregava a escultura de um grande falo ereto, símbolo da fecundidade. Esse desfile jocoso, muitas vezes composto por mascarados, era parte oficial das Dionisias Urbanas, dedicadas ao deus do vinho. Em muitas aldeias e cidades gregas era comum que jovens batessem de porta em porta, pedindo donativos e aproveitando para provocar os transeuntes. Freqüentemente carregavam bichos nas mãos: peixes, corvos, andorinhas... ou disfarçavam-se em animais imitando antigos rituais zoomórficos, em que os fiéis se assimilavam ao deus que celebravam.

Mais tarde, a Grécia foi dominada pelo Império Romano, mas seus deuses sobreviveram à dominação, com nomes diferentes. Assim, Dioniso passou a chamar-se Baco e para ele os romanos faziam grandes festas. Eram orgias regadas com muito vinho, as famosas Bacanais do Império Romano, que ocorriam no mês de fevereiro. Cronos, o deus grego do tempo, passou a chamar-se Saturno. Em sua honra havia três dias de festas ininterruptas, com grandes desfiles de carros alegóricos enfeitados, que eram chamados de carnevales.

As histórias míticas de Saturno contam que ele devorava os filhos homens que nasciam, cumprindo uma promessa que o levou ao trono. Mas Réia, sua mulher, conseguiu salvar os filhos Júpiter, Netuno e Plutão, dando ao marido pedras para engolir no lugar das crianças. Destronado e expulso do céu pelo filho Júpiter, Saturno exilou-se na Itália. Lá, ele foi bem recebido pela deusa Juno, com quem passou a dividir o trono. A partir desse momento, dedicou-se a civilizar os povos bárbaros que viviam naquele lugar. Deu-lhes leis e ensinou-os a cultivar a terra. Governou com tanta justiça que seu reino era chamado de Idade do Ouro. Saturno era simbolizado por um velho com uma foice, numa alusão clara à ação implacável do tempo.

As Saturnais, ou Saturnália, eram festas romanas em sua homenagem. Durante essas comemorações reinava a mais absoluta liberdade. Os escravos eram servidos por seus senhores e podiam dizer-lhes o que quisessem, não havia aulas, nem julgamentos ou execução de criminosos. Havia troca de presentes e suntuosos banquetes. O mês de dezembro era época de alegria universal. A inversão dos papéis parece ser a tônica das festas desse Deus que, ironicamente, é o fundador da ordem social. A fartura de alimentos, presentes e outros bens materiais representam o prêmio para aqueles que trabalham duro o ano inteiro, regando a terra com o suor do próprio rosto para merecer seus frutos.

Tanto os Bacanais quanto as Saturnais, que miticamente inspiraram o Carnaval, ocorriam no período que coincide com o Equinócio de Primavera do Hemisfério Norte, em março. As Saturnais ocorriam em todas as ‘viradas de estação’, ou seja, nos Solstícios de Inverno e Verão e Equinócios de Outono e Primavera.

As Lupercais eram as festas em honra de Pã, deus dos pastores, representado com orelhas, chifres e pernas de bode e associado com os bodes e os cães. Trazia sempre consigo uma flauta. Divertia-se assustando as pessoas no campo – daí derivando a palavra ‘pânico’. Ele era lembrado também pela loba que amamentou Rômulo e Remo (figuras míticas da fundação de Roma). Assim, no festival que lhe dedicavam, era costume sacrificar duas cabras e um cão de cujas peles faziam-se chicotes, quando muitos rapazes, nus até a cintura, corriam as ruas de Roma brandindo os chicotes e batendo em todos quanto encontrassem. Daí se originou a tradição dos ‘clóvis’, popularmente conhecidos como ‘bate-bolas’.

Momo e Como são duas outras divindades ligadas ao Carnaval europeu. O primeiro, filho da Noite e do Sono, não fazia absolutamente nada. A única função de Momo era xeretar o trabalho dos outros deuses e os dar palpites que bem entendesse. Ele é o deus da Crítica e da Zombaria. O deus Como rege a alegria e a boa vida. No Brasil, a figura do Rei Momo misturou os deuses Como e Momo num único personagem.

(FONTE: Revista Ano Zero – Fevereiro/1992)

NOTA: Historicamente, o Carnaval é apenas um dia, ou seja, na terça-feira que antecede o Quarta Feira de Cinzas. Por conta dos exageros cometidos em tal festejo que surgiu a denominação ‘Terça Gorda’ (Mardi Gras).

NOTA: Nos dias que antecedem o Carnaval, os Umbandistas fazem firmezas de Exus e Pombogiras para a proteção dos médiuns. Neste período, as pessoas expõem tendências de cunho negativo, os desejos mais ocultos, desrespeitando-se moralmente para satisfazer prazeres carnais sem limites. Através do alcoolismo, consumos de drogas e libertinagem. O campo vibratório destas pessoas torna-se propício à atuação dos kiumbas (obsessores: trevosos, zombeteiros etc). Os guardiões têm por função não permitir que essas energias ‘invadam’ o espaço daqueles que não coadunam com tais comportamentos. Não é proibido aos médiuns de brincar o Carnaval, mas é obrigatório que tenham responsabilidade consigo mesmos.

GOZO DOS BENS TERRENOS

711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?

“Esse direito é conseqüente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao homem o meio de cumpri-lo.”

712. Com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais?

“Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação.”

a) — Qual o objetivo dessa tentação?

“Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos.”

Se o homem só fosse instigado a usar dos bens terrenos pela utilidade que têm, sua indiferença houvera talvez comprometido a harmonia do Universo. Deus imprimiu a esse uso o atrativo do prazer, porque assim é o homem impelido ao cumprimento dos desígnios providenciais. Mas, além disso, dando àquele uso esse atrativo, quis Deus também experimentar o homem por meio da tentação, que o arrasta para o abuso, de que deve a razão defendê-lo.

713. Traçou a Natureza limites aos gozos?

“Traçou, para vos indicar o limite do necessário. Mas, pelos vossos excessos, chegais à saciedade e vos punis a vós mesmos.”

714. Que se deve pensar do homem que procura nos excessos de todo gênero o requinte dos gozos?

“Pobre criatura! Mais digna é de lástima que de inveja, pois bem perto está da morte!”

a) — Perto da morte física, ou da morte moral?

“De ambas.”

O homem, que procura nos excessos de todo gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades e, ainda, a morte, que resultam do abuso, são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus.

(FONTE: KARDEC, Allan – “O Livro dos Espíritos” – Parte Terceira, Capítulo V)

domingo, janeiro 28, 2007

Orixás, Entidades e os Dias da Semana

2ª feira: Exu, Omolu, Nanã, Pretos Velhos
3ª feira: Ogum
4ª feira: Xangô e Yansã
5ª feira: Oxóssi, Ossanhe, Oxumarê e caboclos (de pena e boiadeiros)
6ª feira: Oxalá
Sábado: Yemanjá, Oxum e Nanã
Domingo: Ibeijada

NOTA: Este blog tem como principal objetivo divulgar o calendário de atividades do Grupo Umbandista Fé, Esperança e Caridade. Postagens contendo mitos africanos, trechos de obras da Codificação da Doutrina Espírita por Allan Kardec, pesquisas históricas sobre festejos católicos, entre outros temas, não têm a finalidade de influenciar as pessoas, médiuns ou leigos, a seguirem a tendência X ou Y; nem significam que nossos trabalhos sejam o que pejorativamente é classificado como 'mistureba' ou 'Umbandomblé'.

A formação de nosso CCT no 'A Caminho da Luz', dirigido pelo Babá Paulo Newton do Caboclo da Lua, aliada à nossa filiação ao Primado de Umbanda - escola do Caboclo Mirim - são a base de nossos fundamentos. Umbanda Esotérica, Africanista, Branca... ‘Aumbhandan’ ou ‘Mbanda’... Esqueçam os rótulos, o objetivo é comum: propagar a Lei do Amor.

Perguntaram ao Médium Supremo: ‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Respondeu Jesus: amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás teu próximo como a ti mesmo.’ (Mateus 22,36-39).

Deixemos de valorizar pormenores que apenas incitam a desagregação, lembremo-nos de que os espirituais ‘fazem o bem sem olhar a quem’, seja em nome de Zambi, Olorum ou Tupã. Devemos abandonar os pré-julgamentos e não engessar nossos conceitos. Precisamos apenas de discernimento para fazer nossas escolhas, de coragem para vivenciá-las e de personalidade para defendê-las.

‘Digo, pois: Deixai-vos conduzir pelo Espírito. (…) O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. (…) Tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em Mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco.’ (Filipenses 4, 8-9)

Márcia Montenegro – administradora do Blog, Flog e Orkut do GUFEC

domingo, janeiro 14, 2007

Yemanjá salva o Sol de extingüir-se

Orum, o Sol, andava exausto. Desde a criação do mundo ele não tinha dormido nunca. Brilhava sobre a Terra dia e noite. Orum já estava a ponto de exaurir-se, de apagar-se.

Com seu brilho eterno, Orum maltratava a Terra. Ele queimava a Terra dia após dia. Já quase tudo estava calcinado e os humanos já morriam todos.

Os Orixás estavam preocupados e reuniram-se para encontrar uma saída. Foi Yemanjá quem trouxe a solução. Ela guardara sob as saias alguns raios do Sol. Ela projetou sobre a Terra os raios que guardara e mandou que o Sol fosse descansar, para depois brilhar de novo.

Os fracos raios de luz formaram um outro astro. O Sol descansaria para recuperar suas forças e enquanto isso reinaria Oxu, a Lua. Sua luz fria refrescaria a Terra e os seres humanos não pereceriam no calor.

Assim, graças a Yemanjá, o Sol pode dormir. À noite, as estrelas velam por seu sono, até que a madrugada traga outro dia.

(FONTE: PRANDI, Reginaldo – "Mitologia dos Orixás")

Aniversário e Datas Comemorativas - Fevereiro

02 - Dia de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes (YEMANJÁ)

03 – Dia de São Brás (OMOLU)

18 – Aniversário da Vanesca, mãe médium-mirim Miguel

20 - Carnaval / Início do ciclo zodiacal do signo de PEIXES / Aniversário da Marília

21 - Cinzas

Calendário do Mês de Fevereiro/2007

4as feiras às 19:30h

07, 14, 21 e 28
- Irradiação/Passe/Corrente

5as feiras às 19h

01, 08, 15 e 22
- Reposição Energética

6ª feira às 19:30h

16
- GIRA DO SR ZÉ PILINTRA, EXUS E POMBOGIRAS. PARA AS FIRMEZAS DO PERÍODO DE CARNAVAL, TRAZER:

1 GARRAFA DE MARAFO

1 VELA VERMELHA

1 CHARUTO

1 CAIXA DE FÓSFORO

1m DE FITA VERMELHA

Sábados às 15h

03
- Gira Mensal

10 – Consultas com os Pretos Velhos

Domingo às 13h

11 - GRITO DE CARNAVAL: Roda de Samba Beneficente / Feijoada. Presença do Grupo Boêmios do Samba, Tia Doca da Portela, Kátia Torres e outros. Ingressos a R$ 2,00 (só entrada) ou R$ 7,00 (entrada + feijoada). Festa à fantasia.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

A Estrela Esperança

Contam as lendas que, quando foi concluída a Criação, as estrelas vieram visitar a Terra.

A estrela AMARELA, simbolizando as riquezas, visitou todos os recantos e voltou ao veludo escuro da noite, tomando seu lugar no firmamento. A estrela AZUL, simbolizando os rios e os mares, igualmente deu um giro em todas as profundezas e retornou.

As demais estrelas simbolizando o restante da Natureza, fizeram o mesmo, e todas se engastaram nos lugares definitivos onde deveriam permanecer para sempre. Todas voltaram, menos uma, por discreta determinação do rei do firmamento. E quando perceberam a sua ausência, os demais astros buscaram-na aflitos, de longe. Então perceberam, entre os sofredores e necessitados do mundo, a sua luz faiscando em tom VERDE. Por isso, é que a ESPERANÇA nunca abandona a vida.

Através de uma lenda, os poetas encontraram uma maneira de falar da ESPERANÇA.

Quando a noite escura do desalento invadir a nossa vida, lembremos a suave luz da ESPERANÇA que não nos deixa a sós, e recobremos o passo, no compasso da harmonia.

Quando sentirmos os ferimentos da cruz de espinhos a vergastar nossos ombros, permitamos que o brilho inapagável da ESPERANÇA nos console.

Se o véu escuro da morte se estender sobre os olhos físicos dos seres amados, lembremos que a imortalidade, mensageira da ESPERANÇA, vem lhes descortinar horizontes novos, no além túmulo.

Ainda que os dias de sofrimento pareçam não ter fim...

Ainda que a enfermidade anuncie que veio para ficar...

Ainda que os amigos abandonem os nossos passos, deixando-nos caminhar a sós...

Ainda que tenhamos a impressão de que o Pai Divino nos esqueceu, lembremos da sublime lâmpada da ESPERANÇA, e permitamos que ela ilumine a nossa alma, plenificando-a com suave claridade, anunciando um novo alvorecer.

Lembremos sempre que, por mais escura e longa que seja a noite, o Sol sempre volta a brilhar, e com ele, novas oportunidades de construirmos a nossa felicidade.

Para tanto, devemos permitir que a ESPERANÇA siga conosco como portadora da chave que abre a aurora e vence o crepúsculo.

A ESPERANÇA se apresenta em nossas vidas de várias maneiras:

Pode estar presente num sorriso...

Num olhar de ternura... num aperto de mão... num afago...

Podemos encontrá-la, ainda, na suave brisa de uma manhã de Sol...

Na serenidade das gotas de chuva, caindo devagar...

No cinza escuro da paisagem crestada pela neve a anunciar que, em breves dias, tudo estará reverdecido novamente, sob os diversos matizes de cores e perfumes, mostrando que a ESPERANÇA está presente, e jamais nos abandona.

(Baseado no capítulo IX do livro "Estesia", pág. 30 da Livraria Espírita Editora Alvorada - LEAL)